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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Quarto


  Normalmente eu não compartilho os meus sonhos, mas eu gostaria de falar sobre um que mexeu muito comigo.
 Como cristãos, nós  “sabemos” certas coisas como  “Jesus me ama” e Cristo morreu pelos pecadores”. Nós já ouvimos estas frases inúmeras vezes, mas a poeira da familiaridade pode ofuscar a glória destas verdades simples. Temos que tirar o pó e nos lembrar do poder que elas possuem, capaz de transformar vidas.(...)
  Talvez você tenha estragado tudo. Talvez você reflita nas ações passadas e estremeça de remorso. A  pureza parece ser uma causa perdida. Este sonho, chamado de “O Quarto”, é dedicado a você.
   Naquele estado entre estar acordado e estar sonhando, me encontrei em um quarto. Não havia nada que chamasse a atenção exceto por uma parede coberta de arquivos de gaveta com fichas. Eles eram como aqueles de biblioteca que listam os livros por autor ou assunto em ordem alfabética. Mas estes arquivos, que iam do chão ao teto e pareciam não ter fim em cada lado, tinham cabeçalhos muito diferentes. Ao me aproximar da parede de arquivos, o primeiro a me chamar a atenção foi um intitulado  “Garotas de quem eu gostei.” Eu o abri e comecei a passar o olho nas fichas. Rapidamente eu fechei a gaveta, chocado pelo fato de reconhecer os nomes que estavam escritos em cada ficha.
  E então sem ninguém me contar, eu soube exatamente onde estava.  Este quarto sem vida com os seus pequenos arquivos era um sistema de catalogação da minha vida. Aqui estavam anotadas as ações de cada momento meu, grande ou pequeno, com um detalhe que a minha memória não poderia igualar.
  Fui tomado por uma sensação de admiração e curiosidade, acompanhada de horror, quando comecei a abrir arquivos aleatoriamente e explorar os seus conteúdos. Alguns me trouxeram alegria e agradáveis
memórias; outros uma sensação de vergonha e arrependimento tão intensa que até olhava por cima do ombro para ver se havia alguém observando. Um arquivo chamado “Amigos” estava ao lado de um marcado “Amigos a quem traí.”
  Os títulos variavam de mundano até os mais esquisitos. “Livros que eu li,” “Mentiras que contei,” “Conforto que ofereci,” “Piadas de que eu ri.” Alguns eram até hilariantes na sua exatidão: “Coisas que gritei contra os meus irmãos.” De outros eu não pude rir:  “Coisas que fiz movido pela raiva,”
Coisas que murmurei contra meus pais.” Eu sempre ficava surpreso pelo conteúdo. Frequentemente havia muito mais fichas do que eu esperava. Algumas vezes havia menos do que eu desejava. Fui esmagado pelo volume completo de vida que havia vivido. Haveria a possibilidade de eu ter tido o
tempo nos meus vinte anos de escrever cada uma destas milhares, possivelmente milhões, de fichas? Mas cada ficha confirmava esta verdade. Cada uma delas estava escrita com a minha própria caligrafia. Cada uma assinada com a minha assinatura.
  Quando eu abri o arquivo chamado  “Canções que ouvi,” eu me dei conta de que os arquivos cresciam em profundidade para caber o seu conteúdo. As fichas estavam guardadas bem apertadas, e ainda assim ao final de dois ou três metros, ainda não tinha chegado ao fundo da gaveta. Eu a fechei, envergonhado, nem tanto pela qualidade da música, mas pela enorme quantidade de tempo que eu sabia que aquele arquivo representava.
  Quando cheguei a um arquivo chamado “Pensamentos Impuros,” senti um frio correr pelo corpo. Abri o arquivo apenas uns dois centímetros, sem querer testar o seu tamanho. Arrepiei com o conteúdo detalhado. Me senti mal só de pensar em que um momento como aquele tinha sido registrado.
  De repente senti uma raiva quase animal. Um pensamento dominava a minha mente:  “Ninguém jamais deverá ver estas fichas! Ninguém jamais deverá ver este quarto! Tenho que destruí-las!” Com uma fúria insana puxei o arquivo para fora. O seu tamanho não importava agora. Eu tinha que esvaziá- lo e queimar as fichas. Mas ao pegar o arquivo numa ponta e batê-lo no chão, não consegui deslocar nenhuma ficha. Fiquei desesperado e tirei uma ficha, apenas para descobrir que ela era forte como o aço quando tentei rasgá-la.
  Derrotado e absolutamente desamparado, guardei o arquivo no seu lugar. Apoiando a testa contra a parede, soltei um longo suspiro de autocomiseração. E então eu o vi. O título dizia:  “Pessoas a quem compartilhei o evangelho.” O puxador estava mais brilhante que aqueles ao seu redor, mais novo, quase sem uso. Eu puxei a gaveta e saiu na minha mão uma pequena caixa de no máximo oito centímetros de comprimento. Eu podia contar as fichas em uma mão.
  E então vieram as lágrimas. Comecei a chorar. Os soluços eram tão profundos que a dor começava no estômago e me sacudia todo. Caí de joelhos e chorei. Gritei sem constrangimento, por causa da esmagadora vergonha de tudo aquilo. As fileiras de gavetas dos arquivos giravam em meus olhos cheios de lágrimas. Ninguém jamais deveria saber deste quarto. Eu devia trancá-lo e esconder a chave.
  Mas então, ao limpar as lágrimas, eu O vi. Não, por favor, Ele não. Não neste lugar. Ô, qualquer um, menos Jesus.
  Eu assistia, sem poder fazer nada, enquanto ele começava a abrir os arquivos e ler as  fichas. Eu não aguentava ver a Sua reação. E nos momentos em que consegui olhar na sua face, eu vi uma tristeza mais profunda do que a minha. Parecia que Ele intuitivamente ia para as piores caixas. Por que Ele tinha que ler cada uma delas?
  Finalmente Ele se virou e me olhou lá do outro lado do quarto. Ele olhou para mim cheio de compaixão nos olhos. Mas esta era uma compaixão que não me deixou irado. Abaixei a cabeça, cobri o meu rosto com as mãos e comecei a chorar de novo. Ele se aproximou e colocou o Seu braço em volta de mim. Ele poderia ter dito tantas coisas. Mas não disse uma palavra. Apenas chorou comigo.
  Depois Ele se levantou e voltou para a parede de arquivos. Começando em uma ponta do quarto, ele tirou um arquivo e, de um em um, começou a assinar o Seu nome em cima do meu em cada cartão. "Não”, eu gritei, correndo em sua direção. Tudo que consegui dizer foi: “Não, não” enquanto tirava a ficha da sua mão. O nome Dele não deveria estar nestas fichas. Mas lá estava ele, escrito em vermelho tão rico, tão escuro, tão vivo. O nome de Jesus cobria o meu. Estava escrito com o Seu sangue.
  Ele delicadamente pegou a ficha de volta. Ele sorriu um sorriso triste e continuou a assinar as fichas. Acho que jamais compreenderei como Ele o fez tão rapidamente, mas no próximo instante parecia que Ele fechava o último arquivo e voltava para o meu lado. Ele colocou a sua mão no meu ombro e disse:  “Está consumado.” Me levantei, e Ele me guiou para fora do quarto. Não havia tranca na porta. Ainda havia fichas a serem preenchidas.
                      Joshua Harris - Extraído do livro "Eu disse adeus ao namoro".

  Querido(a), talvez você esteja se culpando por algo que aconteceu contigo, ou quem sabe você tem vivido preso ao passado, o que te impede de ser feliz. Você não precisa viver assim, deixe que Jesus Cristo entre em seu passado, em suas lembranças, em suas mágoas e decepções, e principalmente, em sua VIDA. Ele te dará motivo para sorrir e te fará sonhar novamente. Ele apagará seu passado e lhe dará uma nova história linda demais, escrita pelos dedos de Deus. Faça o clichê "Ano Novo, Vida Nova" ser real em sua vida. Deixe no passado o que passou, as tristezas que você viveu em 2011, e permita que Deus te dê não somente um ano novo, mas uma VIDA NOVA. 


 No amor incondicional do Pai,
                       Débora F.

5 Comentários...:

Anônimo disse... Responder comentário

Demais! Eu já tinha me interessado pelo livro do Joshua, mas depois que li esse trecho me deu vontade de ler ele inteiro. QUantas vezes nos apegamos a memórias, lembranças que nos impedem de prosseguir. Mas Jesus é o unico que pode nos curar, que pode tirar todo o peso da nossa consiencia. Por mais que seje dificil para nós, Ele nos ama. E como é bom quando Deus nos trata. Eu tenho experimentado isso em minha vida e parece que saiu uma tonelada do nosso interior. É assim que Jesus faz. Esse é o meu lindo Jesus.

Léo.

Mariáh disse... Responder comentário

Amei a história, narra muuito bem como Jesus nos perdoou da nossa imensidão de pecados..
Fiquem com Deus gente! Até mais!

Larissa Gabrielle disse... Responder comentário

Nossa muito,muito,muito lindo mesmo,vou colocar esse livro na minha lista de livros para comprar e ler,que já está ficando grande,eu amo,amo,amo ler...
Deus abençoe querida,bjs.

Jennifer Dias disse... Responder comentário

Eu li este livro no ano passado. Eu baixei da internet e ainda o tenho aqui. Quem quiser... (:
Muito bom! Transformador!

Loucos Por Uma Causa disse... Responder comentário

É isso aí, Léo! Só Jesus pode nos curar completamente! NOSSO Lindo Jesus! hehehe

Linda mesmo essa história, né, Mariáh?! Fique com Deus também, querida! ;)

Ah, nem fala, nossa lista de livros só cresce, né, Larissa?! ahaha Mas, ler ainda é um dos melhores e mais saudáveis hábitos. Deus te abençoe também, princesa!

Muito bom mesmo, né, Jennifer, esse livro! \o/ Muda nossa perspectiva em relação a muitas coisas!

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